sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Retratinhos" em Mem Martins

Durante o mês de Março, o teatromosca apresentará 3 espectáculos do projecto "Retratinhos" no Antigo Cinema do Floresta Center, nas Mercês (Mem Martins), numa iniciativa promovida pelo Teatro Byfurcação.

No dia 6 de Março, às 16h, será apresentado o espectáculo "Retratinho de D. Carlos", com texto de Pedro Marques e direcção de Mário Trigo, com interpretação de Pedro Almeida (actor) e Susana Gaspar (actriz).

No dia 13 de Março, também às 16h, será a vez de "Retratinho de Gil Vicente", com texto e encenação de Pedro Alves e interpretação de Filipe Araújo e Pedro Mendes (actores).

No dia 20 de Março, às 16h, é a vez de "Retratinho de Paula Rego", criação colectiva a partir de texto original de Tiago Patrício, com direcção de Maria Gil e interpretação de Pedro Mendes e Yolanda Santos (actores).

sábado, 6 de fevereiro de 2010

«Retratinhos» em 2010

Ao mesmo tempo que os espectáculos estreados em 2009 continuam a ser apresentados em vários pontos do país, nesta nova temporada, o teatromosca apresentará quatro novos espectáculos no âmbito do projecto teatral para a infância e juventude «Retratinho».

Assim, em 2010, estreará «Retratinho de Helen Keller», com texto de Tiago Patrício e direcção de Pedro Alves, «Retratinho de Guerra Junqueiro», com texto de Alexandre Sarrazola e direcção de Mário Trigo, «Retratinho de Bruce Lee», com texto de Luís Felício e direcção de Luciano Amarelo, e «Retratinho de Amílcar Cabral», com texto de Miguel Horta e direcção de Suzana Branco.

Ilustrações por Alex Gozblau





segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Retratinho de D. Carlos", novamente no Palácio da Pena

"Retratinho de D. Carlos", com texto de Pedro Marques e direcção de Mário Trigo, novamente no Palácio da Pena, em Sintra, no dia 8 de Dezembro, em duas sessões (às 15h e às 16.15h). Bilhetes a 7€ e 10 €...

domingo, 22 de novembro de 2009

"Retratinhos" no Porto

O teatromosca apresentou "Retratinho de Fernão Mendes Pinto", de Jorge Palinhos, em co-produção com a Associação Terra na Boca, e "Retratinho de Darwin", de Diana Alves, no Estúdio Zero, no Porto, no dia 21 de Novembro. Deixamos aqui algumas fotos do primeiro espectáculo, interpretado por Diana Alves e Yolanda Santos.









quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Obrigado!

A todos os que participaram na acção de formação (formandos e formadores), muito obrigado e até à próxima!

Fórum de discussão sobre acção de formação

Abrimos agora um fórum de discussão em torno das metodologias e conteúdos da acção de formação "O Livro Encenado - Outras Leituras", que o DPA do teatromosca dinamizou na Biblioteca Municipal de Sintra, entre 26 e 30 de Outubro de 2009, no âmbito do projecto teatral para a infância e juventude "Retratinhos".

Tendo presente que o objectivo principal desta formação era "dotar os diferentes agentes e intermediários, envolvidos no processo de leitores, de competências teórico-práticas que permitam uma intervenção multidisciplinar em contexto escolar (ou fora deste)", gostaríamos de saber se, na sua opinião e tendo em conta a sua participação nesta acção, esse objectivo traçado, inicialmente, pelo teatromosca foi cumprido e qual a vossa opinião sobre as diferentes metodologias empregues ao longo da formação.

Para além destas questões, gostaríamos de deixar este "espaço" aberto para que possamos abordar outros assuntos. Para tal, pede-se a colaboração e contribuição de todos os participantes na acção de formação (formadores e formandos). Esta discussão encontra-se aberta à participação de outras pessoas...

Participe...

Formação "O Livro Encenado - Outras Leituras" - FOTOS

Ficam aqui algumas fotografias da acção de formação "O Livro Encenado - Outras Leituras", desenvolvido pelo Departamento de Pedagogia e Animação da Associação Cultural teatromosca, no âmbito da programação paralela do projecto teatral para a infância e juventude "Retratinhos", produzido pelo teatromosca. A acção de formação decorreu de 26 a 30 de Outubro, na Biblioteca Municipal de Sintra - Casa Mantero.


Grupo 1 - trabalhou sobre o texto "D. Carlos por quadros", da autoria de Pedro Marques. O grupo foi orientado por Pedro Alves, Pedro Marques, Diana Alves, Pedro Silva e Catarina Varatojo.







Grupo 2 - trabalhou sobre o texto "A menina que não sabia desenhar", de Tiago Patrício, a partir da vida e obra da pintora Paula Rego. Este grupo foi orientado por Mário Trigo, Diana Alves, Tiago Patrício, Pedro Silva e Catarina Varatojo.








quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O lugar do texto - texto de apoio Formação

O LUGAR DO TEXTO
Nos anos 1960/1970, aquilo a que podemos chamar “revolução artística” derrubou (não só) alguns dos alicerces da visão logocêntrica do teatro e (podemos dizê-lo também) das artes performativas. Na era da performance, do happening, da instalação, dos cruzamentos disciplinares, da multidisciplinaridade e da hibridez, o texto perdeu o lugar central, privilegiado, e cedeu algum espaço a outros materiais artísticos: a luz, o som, o movimento, o espaço e o próprio intérprete. Destronado o texto e esbatidas as hierarquias, os vários intervenientes e constituintes do processo criativo poderiam ocupar o mesmo espaço e ter o mesmo peso no acto performativo, caminhando para uma democratização do processo criativo.

O material literário (texto dramático, conto, poesia, texto narrativo, etc.) não tem que ser, obrigatoriamente, o ponto de partida para um processo teatral. Tal como não é imperativo que no “resultado final”, o poder da palavra se sobreponha ao das imagens, da música, do movimento ou da iluminação.

Porém, neste projecto do teatromosca e para esta acção de formação, em específico, partimos do texto. Partimos de textos. É com a palavra escrita que iniciamos o nosso processo. Não é uma proposta anti-texto. O objectivo não é o mesmo que no devised theatre, em que, para o processo, se parte de qualquer material, excepto do texto. Nada disso. Não apagamos a literatura do processo e, inclusivamente, é com ela que damos início ao nosso trabalho. Contudo, à semelhança do que foi uma das conquistas das novas práticas e teorias da arte da segunda metade do século XX, não precisamos de terminar na palavra declamada. Ou, também, a palavra dita pelos intérpretes não tem, necessariamente, que ser a mesma que foi escrita (pelo autor).

Não se trata de aniquilar o papel do escritor (o Autor) com o objectivo de libertar as artes performativas de uma “tirânica” perspectiva única – do texto. Trata-se de assumir o texto como matéria maleável, susceptível de ser transformada, adaptada. Esse material literário vê-se desobrigado da sua autoria intocável, passando a ser apropriado por outras vozes que projectam nele a sua visão e a sua leitura. Nesse trabalho de adaptação, actualização, re-interpretação, o Autor deixa de governar e o seu lugar é tomado por outros autores.


LUGAR À PERFORMATIVIDADE
A performance e restantes manifestações artísticas pós-dramáticas não deixaram, no entanto, de se servir do material literário nas suas criações e nos seus processos. Na dança contemporânea, contaminada por outros códigos artísticos, os bailarinos apoderaram-se da palavra como material do corpo e meio de exploração de limites. No teatro, depois de Brecht (anos 1930–1950) e das actualizações/ adaptações de textos clássicos, depois das performances revolucionárias dos anos 1960 e 1970, o texto nas artes performativas acabou por sobreviver ao século XX. «Ainda bem», não resisto a desabafar.

No final do século passado e início deste novo milénio, uma das práticas recuperadas e que se tem vindo a difundir significativamente, por diversas razões, tem sido a leitura encenada. Leitura encenada. Leitura dramatizada. Não nos vamos deter muito mais na terminologia. Interessará apresentar uma abreviada definição do conceito de leitura encenada.

De forma resumida, podemos dizer que se trata de uma leitura em que os actores ou não-actores lêem um texto em voz alta, com o mínimo de movimentação. Essa leitura poderá decorrer em espaços convencionais de teatro ou em espaços não convencionais (bibliotecas, escolas, bares, espaços ao ar-livre, etc.). No decorrer do processo de ensaios para um espectáculo, a leitura dramatizada pode ser entendida como um género intermediário entre a leitura de um texto e a sua espacialização ou encenação. Poderá também ser autonomizada e apresentada publicamente assumindo-se como performance (na medida em que se trata de uma manifestação artística, efémera e não-reproduzível, mas já/ ainda não se podendo designar como representação teatral). Essa leitura dramatizada poderá também não sair da esfera privada de uma leitura individualizada e servir apenas o prazer da leitura solitária (mas, se ao leitor juntarmos alguns ouvintes, aí poderemos entrar numa longa discussão ontológica sobre o Teatro).

Isolo alguns termos aplicados no texto até agora, para apontar numa única direcção:
“Não-actores”;
“Não-convencionais”;
“Encenação”;
“Prazer da leitura”.

Estes quatro termos servem-me agora para defender o que trabalharemos nesta formação. E, isoladas as palavras, elas servem-me de guião, conduzindo-me facilmente para a conclusão deste meu texto. Completo: Não se pretende formar actores ou transformar em actores aqueles que não o são (falamos da profissão de actor). O teatro já nos mostrou, demasiadas vezes para que insistamos no contrário, que para que se realize um bom espectáculo não precisamos de actores de profissão. Também não precisamos de um espaço convencional (uma sala de aula, um corredor de biblioteca, um quarto de uma casa particular, servem muito bem). A encenação não deve ser confundida com a marcação e não se pode traduzir apenas no desenho de marcações. A marcação é uma etapa na elaboração da encenação e fixa as deslocações e as posições dos actores no espaço cénico. A encenação coloca em cena. A marcação coloca num lugar e delimita uma área de actuação precisa. Por fim, o que nos interessa (re)descobrir é, precisamente, o prazer da leitura de um texto em voz alta (para uma plateia ou em privado).


Pedro Alves
Director artístico do teatromosca