terça-feira, 1 de setembro de 2009

D. Carlos, Ensaio Aberto, 29 de Agosto












Diz o Pedro Marques, sobre o "Retratinho de D. Carlos"

São dois fantasmas. Tal como eu os imaginei. D. Amélia fabrica D. Carlos na sua cabeça. Mas D. Carlos também preserva a sua independência.Ontem, depois do ensaio, quando percebi que tinham cortado o monólogo de D. Carlos às crianças, achei que provavelmente era bom, a dramaturgia dizia que o D. Carlos era uma marioneta, aquele bocado de texto parecia um apêndice. Mas hoje percebi que não. E foi-me revelado por uma menina de 5 anos que viu o ensaio e depois disse que D. Carlos era o mau.

Falámos sobre se ele teria posição moral para falar às crianças, tentando justificar o corte, eu fiquei a pensar nisso. E hoje percebi que se D. Carlos não criar cumplicidade com o público o espectáculo fica com uma posição moral que eu não previa nem queria.A menina de 5 anos percebeu tudo. D. Carlos nunca falou com ela. D. Carlos nunca a interpelou como a Rainha fez. A Rainha contou-lhe uma história. O rei D. Carlos, para ela, era um tipo sempre de costas virado para um quadro. Acho que quando o fantasma de D. Carlos se vê só, no espaço depois da conversa com a Rainha, ele tem curiosidade e vontade de também contar alguma coisa ao público. É o que acontece quando os fantasmas vão aos teatros... só que não vem refutar o que rainha diz, ele vem contar uma história moral. Que tem a ver com o fazer, o acreditar em si próprios. Em ter um nome. D. Carlos tinha dezena e meia deles... nunca teve um nome, só teve um título...

sábado, 29 de agosto de 2009

Texto encenação "Retratinho de Gil Vicente"

Alguns biógrafos afirmam que Gil Vicente terá nascido por volta de 1460. Uns dizem que o autor do “Auto da India” e do “Auto da Visitação” (que hoje apresentaremos aqui também), nasceu em Guimarães. Outros dizem que nasceu em Barcelos. Há quem defenda que o autor Gil Vicente era o mesmo que o ourives Gil Vicente, a quem D. Manuel I confiou a execução da célebre Custódia de Belém. Uns defendem teorias completamente diferentes. Mas a História, é sempre a História possível. E nós decidimos seguir o rasto das várias teorias. A meio, baralhámos tudo. Baralhámo-nos também. Mas, assim, foi muito mais divertido.

Gil Vicente não é o “pai do teatro português”. Acredito, seriamente, que ele tenha sido um dos seus “amantes” mais dedicados. Efectivamente, são de Gil Vicente alguns dos primeiros exemplos daquilo a que podemos chamar literatura dramática em Portugal. No entanto, o teatro deve ser entendido como uma totalidade, composta pelo conjunto dos elementos que fazem o espectáculo - o gesto, as palavras, o cenário e o ritmo - e em que o texto (a literatura) representa o elemento central desse “corpo” que é o espectáculo teatral. Assim, não devemos fazer da história do teatro um mero capítulo da história da literatura. Antes de Gil Vicente, já existia teatro em Portugal. Mas, também isso, não nos interessa muito.

Interessou-nos explorar esta ideia do “duplo”, do desdobramento, jogando o jogo do teatro, da transformação, do travestimento - recusando os grandes artifícios -, dobrando Gil Vicente em ourives e autor de teatro, multiplicando-o em muitas personagens/ máscaras. Pelo meio, ficámos baralhados. Partíamos de uma situação de equilíbrio (tentando seguir uma teoria, uma linha narrativa direitinha), para, logo a seguir, desequilibrarmos tudo, baralharmos as peças do tabuleiro e estilhaçarmos todas as máscaras (“Terá sido Gil?”). No fim, quem nos devolveu o equilíbrio, com o seu primeiro texto, apresentado nos aposentos da Raínha D. Maria, por altura do nascimento de D. João III, foi o próprio Gil Vicente, autor de teatro... Ou talvez não...

Pedro Alves, encenador

Fotos da estreia de "Retratinho de Gil Vicente"

Estreou no passado dia 27 de Agosto, às 19h, no Palácio Nacional de Sintra, o espectáculo "Retratinho de Gil Vicente", com texto e encenação de Pedro Alves, interpretação de Filipe Araújo e Pedro Mendes (actores) e figurinos de Catarina Varatojo.

O espectáculo será reposto no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, no mês de Outubro, estará disponível para marcações de gurpos e escolas no Palácio Nacional de Sintra e também poderá ser apresentado em regime de itinerância.









terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estreia "Retratinho de Gil Vicente"

É já no próximo dia 27 de Agosto, quinta-feira, às 19h, que estreia "Retratinho de Gil Vicente", no Palácio Nacional de Sintra, com texto e encenação de Pedro Alves e interpretação de Filipe Araújo e Pedro Mendes.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Retratinho Paula Rego #6

A Yolanda diz:
'O amor é uma sentença de morte para o ego'.
Não me defender criando personagens.
Refletir sobre o começo do meu dia faz-me perceber como estou, ao perceber como estou, percebo o que
preciso para poder trabalhar.

O Pedro diz:
Está atento aos milagres.
'Serão os sintomas do amor os sintomas do medo?'
Adoptar um coelho.

A Maria diz:
O que é que eu estou aqui a fazer?
D. Violeta deve a abrir e fechar o retratinho.
Um acto de ternura e uma Pequena Palestra sobre o Medo.

Ensaios "Retratinho de Gil Vicente"

Já começámos os ensaios para "Retratinho de Gil Vicente", com texto e encenação de Pedro Alves e interpretação de Filipe Araújo e Pedro Mendes, que estreará no próximo dia 27 de Agosto, às 19h, no Palácio Nacional de Sintra.

Algumas fotos do primeiro dia de ensaios...